O que cachear numa integração, e o que nunca
Equipe AltiviaCloud · 6 de setembro de 2026 · 4 min de leitura
Catálogo sim, saldo nunca. Preço fica no meio: para exibir pode, para cobrar não — e é daí que sai a reclamação de cobrança diferente da tela.
Cache mal colocado é pior que cache nenhum: ele esconde o erro, entrega dado velho como se fosse novo, e quando dá problema ninguém desconfia dele primeiro.
A decisão certa vem de uma pergunta só: qual é o custo de esta informação estar desatualizada por um minuto?
O que cachear sem pensar duas vezes
Catálogo. Lista de países, de serviços, de opções disponíveis. Muda em escala de semanas e é consultado a cada operação.
Buscar a lista inteira antes de cada pedido é o desperdício mais comum em integração de infraestrutura. Some latência de rede ao seu fluxo, gasta cota, e devolve quase sempre a mesma coisa.
Guarde por horas. Se um país novo demorar duas horas para aparecer, ninguém se machuca.
Metadados que você mapeia. Os identificadores de país e serviço que você precisa para montar o pedido. Consulte uma vez, guarde, e atualize periodicamente — não a cada chamada.
Respostas de documentação e conteúdo público. Página que não muda por usuário.
O que nunca cachear
Saldo. Mostrar saldo velho leva o cliente a fazer um pedido que vai falhar, ou a achar que foi cobrado errado. É a informação que mais gera chamado quando está desatualizada.
Status de pedido em andamento. O ponto do status é justamente mudar. Cache aqui produz a tela que diz "aguardando" depois de o código já ter chegado.
Qualquer coisa por usuário, em cache compartilhado. É como um cliente vê o dado de outro. Se precisar cachear por usuário, a chave precisa incluir o identificador dele — e mesmo assim, pense duas vezes.
Resposta de erro. Cachear um erro transitório transforma uma falha de dois segundos numa falha de dez minutos.
O caso ambíguo: preço
Preço fica no meio, e a decisão depende do que você faz com ele.
Para exibir uma lista, cache curto é razoável. O cliente está navegando.
Para cobrar, nunca. O valor debitado precisa vir da fonte, no momento da operação. Preço de tela e preço de cobrança podem divergir por segundos — e o que vale é o segundo.
O erro que gera reclamação é usar o valor cacheado da tela como valor do débito. O cliente viu três reais, foi cobrado três e vinte, e você não consegue explicar.
Invalide por evento, não só por tempo
Prazo de expiração é o mínimo. Melhor é apagar a entrada quando o dado muda.
Alterou o catálogo pelo painel? Apague a chave do catálogo. Assim o prazo vira rede de segurança, não o único mecanismo.
Sem isso, você fica preso entre prazo curto — que anula o ganho — e prazo longo — que atrasa toda correção.
Falha de cache não pode virar falha do sistema
Se o cache está fora do ar, a aplicação deve buscar na origem e seguir. Cache é otimização, não dependência.
Isso parece óbvio e quebra com frequência: uma chamada de leitura sem tratamento de erro derruba a requisição inteira quando o serviço de cache oscila. O resultado é uma indisponibilidade causada pela peça que existia para melhorar o desempenho.
Envolva a leitura, trate a falha como ausência, e siga.
Guarde o negativo com cuidado
Se a consulta não encontrou nada, cachear a ausência evita bater na origem repetidamente por algo que não existe.
O cuidado é o prazo: ausência costuma virar existência. Item que passou a existir e continua "não encontrado" por dez minutos é um bug difícil de rastrear, porque some quando você testa.
Prazo bem mais curto para o negativo que para o positivo.
Um teste que revela cache errado
Mude o dado na origem e cronometre quanto tempo leva para aparecer.
Se a resposta for maior do que você aceitaria explicar a um cliente, o prazo está errado — ou falta invalidação por evento.
E se você não souber responder onde aquilo está cacheado, esse é o problema maior: cache que ninguém sabe onde fica é cache que ninguém consegue limpar no incidente.
Se o motivo para cachear é bater no limite de requisições, vale ler antes 429: como repetir sem piorar — reduzir chamada inútil costuma resolver mais que ajustar retentativa.
Na API de números virtuais, as listas de países e de serviços mudam devagar e são boas candidatas a cache; o preço vale consultar na hora da compra.